| Manifesto de San Cristóbal |
| Minga Informativa | |
| Mrcores, 22 de Novembro do 2006 | |
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Chiapas. Manifesto do V Encontro Campesino e III Encontro Indíxena do MOICAM. Porque separados somos débiles, pero unidos seremos invencíbeis. Outra mesoamérica é necesaria! Outra mesoamérica é posíbel! <Portugués>
Reunidos na cidade de San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México, entre o 17 e o 20 de novembro de 2006, 536 delegados e delegadas provenientes de seis países mesoamericanos e de migrantes que vivem nos Estados Unidos, agrupados em 59 organizações, 34 da América Central e 25 do México, aprovamos a seguinte declaração: I.- Ante a falsa democracia das oligarquias reivindicamos o poder popular: (…) Os indígenas e camponeses mesoamericanos dissemos ‘Basta!’. Já não queremos mais a democracia da fome, do desemprego, da migração, da prisão, do cemitério. Ao invés da falsa democracia das oligarquias, queremos uma democracia dos trabalhadores; em vez de que governem poucas famílias, queremos o poder do povo. Diante da concentração oligárquica da terra, da água, do vento, da diversidade biológica, das culturas mercantilizadas, da concentração do poder e da concentração das decisões, porque os ricos expropriaram do povo a capacidade de decidir seu destino; diante de tudo isso nós sustentamos que a democracia é tudo ao contrário: não concentrar, mas socializar recursos, riquezas e decisões. Esta é a democracia desde a base e com participação de todos e todas, com participação dos povos indígenas, dos povos mestiços. E o poder democrático do povo se constrói em muitos lugares e de muitas maneiras diferentes. (…) Nosso movimento é uma trincheira dos camponeses e dos indígenas da cintura da América. Um movimento social que luta pelas bandeiras dos trabalhadores do campo. Porém, a experiência nos ensina que nossas grandes demandas: reforma agrária integral, soberania alimentar, soberania no trabalho, soberania no emprego, recuperação de nossos territórios e recursos naturais, entre outras, não serão realmente satisfeitas enquanto em nossos países governem as mesmas famílias de sempre, enquanto as oligarquias tenham sua bota posta sobre o pescoço dos mesoamericanos. (…) Os indígenas e camponeses organizados temos que decidir se deixamos que outros façam política por nós e em nosso nome, ou se nos animamos a ocupar diretamente os espaços políticos que necessitamos para mudar o rumo de nossos países e de nossa região. O MOICAM já tomou a decisão: muitos de seus membros estão participando em frentes político-sociais nacionais, em lutas que devemos agora impulsionar, em escala regional, continental e mundial. II.- Diante do neoliberalismo, os camponeses reivindicamos a soberania alimentar, a soberania no trabalho, a soberania sobre o território e os recursos naturais e sociais. (...) (….) Nossa Mesoamérica está assediada, acossada por planos perversos, como o Plano Puebla-Panamá, um projeto neocolonizador, que foi inventado há seis anos pelo presidente mexicano Vicente Fox com a cumplicidade dos governantes centro-americanos da época, e que o usurpador Calderón quer continuar impulsionando com a cumplicidade dos novos mandatários centro-americanos; Mesoamérica está encadeada por tratados comerciais injustos, como os dos países da América Central com Estados Unidos de América do Norte, tratados de livre comércio ou TLCs, que, como dizemos, significa Total Liquidação do Campo; lacerada por mega-projetos, como os de integração energética e de estradas, como as grandes represas, a privatização da biodiversidade implícita no manejo feito pelo Banco Mundial sobre o corredor biológico mesoamericano. (….) O modelo neoliberal imposto em Mesoamérica há mais de um quarto de século está tocando fundo. Porém, as grandes crises têm algo de bom: delas saem alternativas. Nossos países não podem continuar esperando que as condições internacionais melhorem, que as condições internacionais nos favoreçam. É necessário desde já reorientar as políticas internas, é urgente e indispensável recuperar a soberania alimentar, que os governos entreguistas da região abandonaram em nome de uma abertura comercial e de umas vantagens comparativas que, na prática, nos colocaram de joelhos diante das grandes potências agroexportadoras e de sua cruel guerra por alimentos. E esta recuperação de nossa capacidade de alimentar-nos ou fomento à produção dos pequenos e médios agricultores é indispensável. (…) Hoje, como nunca, existem condições para formar uma grande frente continental, participando e respaldando, por exemplo, o Encontro dos Povos que será realizado em Cochabamba, Bolívia, em dezembro desse ano, ou a Cúpula dos Povos Indígenas, a realizar-se na Guatemala, de 26 a 30 de março de 2007. Para o MOICAM é importante que, além de fortalecer os nexos que UNEM os campesinos e indígenas mesoamericanos, se estendam as alianças com as organizações e movimentos sociais dos países caribenhos, incluindo a Colômbia e Venezuela, e também que estreitemos nexos com os movimentos latinos nos Estados Unidos, com os trabalhadores e trabalhadoras emigrados a esse país, e com as organizações de pequenos e médios granjeiros estadunidenses. Porque separados somos débeis; porém, unidos seremos invencíveis! Outra Mesoamérica é necessária! Outra Mesoamérica é possível! San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México, 20 de noviembre del 2006 - O documento completo pode ser lido em: http://www.movimientos.org/cloc/moicam/show_text.php3?key=8409 |
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