| A impossível comensalidade depois de Doha |
| Leonardo Boff | |
| Luns, 04 de Agosto do 2008 | |
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Leonardo Boff-. O vergonhoso fracasso da Rodada de Doha se deve principalmente aos países ricos que quiseram garantir a parte leonina nos mercados dos pobres. O vergonhoso fracasso da Rodada de Doha se deve principalmente aos países ricos que quiseram garantir a parte leonina nos mercados dos pobres. Num quadro de fome já instalada, se desperdiçou a opotunidade de assegurar comida na mesa dos famintos. O sonho ancestral da comensalidade que nos faz humanos, quando todos poderiam sentar-se à mesa para comer e comungar, se torna ainda mais distante. Além da crise alimentar, nos assolam ainda a crise energética e a climática. Se não houverem políticas mundiais articuladas podemos enfrentar graves riscos às populações e ao equilíbrio do planeta. Dai A Carta da Terra propor uma aliança de cuidado universal entre todos os humanos e para com a Terra até como questão de sobrevivência coletiva. Os problemas são todos interdependentes. Por isso não é possível uma solução isolada com meros recursos técnicos, políticos ou comerciais. Precisa-se de uma coalizão de mentes e coração novos, imbuídos de responsabilidade universal, com valores e princípios de ação, imprescindíveis para uma outra ordem mundial. Enumeremos alguns deles: O primeiro de todos reside no cuidado pela herança que recebemos do imenso processo da evolução do universo. O segundo está no respeito e na reverência face à toda alteridade, a cada ser da natureza e às diferentes culturas. O terceiro encontra-se da cooperação permanente de todos com todos porque somos todos eco-interdependentes a ponto de termos um destino comum. O quarto é a justiça societária que equaliza as diferenças, diminui as hierarquizações e impede que se transformem em desigualdades. O quinto é a solidariedade e a compaixão ilimitada para com todos os seres que sofrem, a começar pela própria Terra que está crucificada e pelos mais vulneráveis e fracos. O sexto reside na responsabilidade universal pelo futuro da vida, dos ecosistemas que garantem a sobrevivência humana, enfim, do próprio planeta Terra. O sétimo é a justa medida em todas as iniciativas que concernem a todos já que viemos de uma experiência cultural marcada pelo excesso e pelas desigualdades. Por fim é a auto-contenção de nossa voracidade de acumular e consumir para que todos possam ter o suficiente e o decente e sentir-se membros da única família humana. Tudo isso só é possível se junto com a razão instrumental resgatarmos a razão sensível e cordial. A economia não pode se independizar da sociedade pois a consequência será a destruição da idéia mesma de sociedade e de bem comum. O ideal a ser buscado é uma economia do suficiente para toda a comunidade de vida. A política não pode se restringir a ordenar os interesses nacionais mas se obriga a projetar uma governança global para atender equitativamente os interesses coletivos. A espiritualidade precisa ser cósmica que nos permita “viver com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade face ao lugar que o ser humano ocupa na natueza”(Carta da Terra, introdução). O desafio que se impõe parece ser este: passar de uma sociedade de produção industrial em guerra com a natureza para uma sociedade de promoção de toda a vida em sintonia com os ciclos da natureza e com sentido de equidade. Estas são as pré-condições de ordem ética e de natureza prática que se destinam a criar as condições de uma comensalidade possível entre os humanos. Logicamente, se fazem necessárias as mediações técnicas, políticas e culturais para viabilizar este propósito. Mas elas dificilmente serão eficazes se não forem plasmadas à luz destes princípios-guias que significam valores e inspirações. | |
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Ignacio Ramonet-. A apocalipse financeira non rematou. Estase transformando en recesión global. E todo indica que imos cara a unha Gran Depresión. Por espectaculares que sexan, as medidas adoptadas en Europa e en Estados Unidos non van provocar o final das dificultades. 