História dunha casa para mulheres
Mulheres Nacionalistas Galegas   
Luns, 14 de Xaneiro do 2008

As mulheres que denunciam às suas parelhas, precisam dum lugar, um espaço, umha casa, onde reconstruir a sua vida separadas do agressor -a Organizaçom Mundial da Saúde (OMS) recomenda umha Casa de Acolhida por cada dez mil habitantes.

A casa de Acolhida Municipal para Mulheres do Concelho de Compostela representou, desde a sua creaçom no ano 1995, esse espaço onde o logro fundamental é conseguir a autonomia das mulheres que vivem nela. Durante os primeiros anos de funcionamento as diferentes organizaçons de mulheres, conhecemos esta casa como um lugar onde éramos bem recebidas, num ambiente de respeito, de nom violência, e de concienciaçom da importância e relevância deste problema social com consequências graves.

Por outra banda a apresentaçom em distintos foros públicos, da experiência de trabalho realizado nesta Casa, permitiu-nos aprender a muitas quais som as características e causas da violência de género.

Mas a historia deste serviço especializado está cheia de barreiras e dificuldades alheias a si próprio e às suas usuárias e que agora podem supor o seu feche definitivo.

Desde o ano 2001 há umha série de circunstâncias que merece a pena destacar e que seguramente mais influíram no final da Casa como se dumha morte anunciada se tratasse:

Em 1995 o Concelho de Compostela pom em funcionamento o serviço da Casa de Acolhida para mulheres em situaçom de maltrato.

Desde o início a gestom foi privatizada através dum concurso público, sendo a Asociaçom Alecrin a primeira em gestionar o serviço.

No ano 2001 o Concelho convoca um novo concurso público para a gestom do serviço, com orçamento insuficiente para garantir umha boa atençom às mulheres como consequência disto a empresa Clece S.A passa a ser a gestora, já que foi a única empresa que se apresentou.

O Concelho, conhecedor de que a empresa Clece incumpre o seu contrato, nom toma medidas, negando-se a denunciar as irregularidades (este facto é reconhecido pelo secretário do Concelho no Conselho Municipal da Mulher do 20/09/03).

A Concelheira da área de Mulher, Adelaida Negreira, reconhece publicamente que a sua concelharia emitiu informes que provocam e facilitam o despedimento de duas trabalhadoras.

Adelaida Negreira convoca aos meios e lê uns informes sobre o funcionamento da Casa provocando na cidadania umha imagem escandalosa do serviço. Afirma, entre outras coisas, que na Casa os e as menores em acolhimento sofrem maltrato, acusando às trabalhadoras do serviço desta circunstância.

O Concelho de Compostela incumpre o princípio de participaçom, na realizaçom dos Conselhos Municipais da Mulher, e na negativa a fazer efectivos os acordos ali adoptados:

No Consello do 20/09/03 por unanimidade decide-se adoptar dous acordos:

  1. Instar á empresa Clece S.A à readmisom imediata das trabalhadoras despedidas
  2. Criar umha comissom de trabalho para a elaboraçom dum novo Regulamento de Funcionamento da Casa.

Em datas posteriores a este Conselho tanto Adelaida Negreira como o alcalde Sánchez Bugallo, declaram aos meios de comunicaçom que a Concelheira viu-se “pressionada” para aceitar e desautorizam às organizaçons de mulheres.

Depois de duas reunións Adelaida Negreira envia umha carta a algumhas das organizaçons que conforma-mos a antedita Comissom e na que nos comunica que decide dissolvela de maneira unilateral porque a acha “pouco operativa”.

No Conselho da Mulher do 14/11/03, convocado a petiçom das organizaçons que forma-mos parte, a Concelheira nega-se a discutir a proposta de Regulamento que a Comissom de trabalho elaborara (algumhas organizaçons seguira-mos a trabalhar apesar de que a concelheira a dissolvera), nega-se a garantir que se tenham em conta as propostas achegadas e nega-se a convocar outro Conselho para a debater o novo Regulamento que a própria Concelheira afirma vai elaborar.

A empresa Clece nom considera nem prioritário nem sequer secundário, que as mulheres que vivem na Casa se recuperem, nem que conheçam e exijam os seus direitos. Clece considera “psicologia de peto” o trabalho de fomentar a auto-estima de cada mulher acompanhando-as na toma de decissóns próprias, no direito a equivocar-se sem serem julgadas (dados da sentença judicial que condena a Clece por “irregularidades” com as trabalhadoras da Casa).

O Concelho adjudica de novo a gestom da Casa umha outra vez à empresa Clece S.A, apesar das moitas irregularidades cometidas (2/12/03)

Apesar de que os despedimentos das duas trabalhadoras foram declarados improcedentes Adelaida Negreira segue afirmando publicamente que o Concelho nom “tem nada que ver com esse assunto”. Porém, os informes emitidos pelo Concelho foram utilizados por Clece para justificar os despedimentos.

Depois de muitos anos de reinvidicaçons e de trabalho para construir um modelo de intervençom que procure a recuperaçom integral das mulheres e dos seus filhos e filhas desde umha perspectiva de género (pois é o rol de género a causa que nos situa a todas as mulheres como susceptíveis de ser objecto da violência masculina, nas suas diversas formas), depois de aprender que se pode viver sem violência, estabelecer relaçons sem violência, viver independentemente, retrocede-mos para empeçar de zero destruindo, sem tirar proveito do construído por muitas mulheres, usuárias, trabalhadoras e colaboradoras da Casa de Acolhida.

 
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